segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Como está a nossa luz? (Mt. 5. 13-16)


“Vocês são a luz do mundo e o sal da terra”: estamos diante de uma declaração notável que define a natureza do cristão. Sal e luz são elementos que existem para gastar-se. Elementos básicos à vida humana. Inconfundíveis.

Jesus disse para um grupo de homens simples, insignificantes do ponto de vista da sociedade da época: “vocês são a luz do mundo”: isso sinaliza para uma abençoada verdade: não há insignificantes nos planos de Deus.

Martin Lloyd-Jones refletindo sobre esse texto disse que “o perigo constante é que leiamos uma declaração como essa e fiquemos pensando em alguma outra pessoa, como os cristãos primitivos, ou o povo evangélico em geral. Porém, se realmente nos consideramos cristãos, é a nós que as palavras do texto se referem”.

O chamado de Jesus ainda nos atinge: somos ou fingimos ser? Esse texto é um convite à ação.

Vamos refletir sobre algumas lições que aprendemos nesse texto:

I. Precisa existir diferença entre o cristão e o mundo

Sal e luz são elementos óbvios, nem precisam de ilustração. É evidente que façamos diferença. O mundo espera de nós que sejamos tão diferentes quanto a luz e as trevas! Nesse texto há uma séria advertência: quando agimos de forma contrária à nossa natureza nos tornamos ridículos: sal sem sabor e luz sem brilho. Comunidade do absurdo.

Quando ocultamos nossa natureza regenerada nos tornamos completamente inúteis. O verdadeiro crente não se oculta, nem pode deixar de ser notado. É de sua natureza destacar-se, pois é como “uma cidade edificada sobre um monte”. Esse texto desmonta o chamado “cristianismo nominal”, o formalismo dogmático sem razão de ser.

Dietrich Bonhoeffer disse que “refugiar-se no invisível é uma negação do chamado, uma comunidade de Jesus que procura esconder-se deixou de segui-lo”.

II. Não podemos nos esquecer que existem responsabilidades nessa diferença

Jesus afirmou categoricamente: “vocês são”: não podemos falhar! Há outra advertência implícita no texto: assim como acontece com o sal, também é com a luz: se o sal pode perder a salinidade, a luz pode transformar-se em trevas (Mt. 6. 23: “se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!”).

Próximo de onde Jesus ministrou esse sermão havia a comunidade dos essênios, que se intitulava “os filhos da luz”, mas não tomava providência alguma para que sua luz brilhasse. Ocultos em seu gueto, seu sal era tão inútil quanto os depósitos de sal no Mar Morto ali bem perto. W D Davies diz que Jesus pensava neles quando ministrava essa palavra!

Nossa responsabilidade é dupla: denúncia e proclamação: o sal arde e a luz pode cegar e queimar! Helmut Thielicke escreveu: “Jesus não disse ‘vocês são o mel do mundo’, mas o sal”. Como está a nossa missão? Note que Jesus primeiro fala sobre o sal, depois sobre a luz: é um exemplo da atividade da igreja: primeiro arde, depois ilumina!

A luz não somente dissipa as trevas, também revela suas causas. João 3. 19 é brutal: “os homens amaram mais as trevas do que a luz”. A nova natureza em Cristo precisa fazer o homem amar mais a luz do que as trevas. Helmut Thielicke disse que “o sal e a luz têm uma coisa em comum: eles se dão e se gastam, e isto é o oposto do que acontece com qualquer tipo de religião egocentralizada”.

É preciso ser como João Batista que, segundo João 5. 35: “ardia e iluminava”.
III. Cuidado com o perigo da inversão

Inversão é quando adoramos a lâmpada e não a luz. Jesus disse em João 8. 12 e 9. 5: “Eu sou a luz do mundo”. Por derivação nós também somos, pois brilhamos com a luz de Cristo no mundo, como astros à noite, como disse Paulo aos Filipenses 2. 15: “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo”.

O mundo sempre esteve nas trevas do auto-engano. O mundo nunca se cansou de enfatizar sua própria luz: a Renascença (séc. 15 e 16) ou o Iluminismo (séc. 18), o chamado “século das luzes”, são exemplos de impulsos culturais auto-intitulados de “luz”.

Curioso é que à medida que cresce o conhecimento tecnológico, o existencial definha. Ainda carecemos – e muito – de conselhos amorosos e cursos para casais, porque não sabemos viver!
A luz de Jesus vai além do saber – vai até o âmago do ser. Ela mescla perfeitamente o ser, o saber e o fazer, para desembocar no viver (João 10. 10: “vida em abundância”).

Para não cairmos no labirinto das inversões precisamos de duas coisas: humildade e consciência do limite: numa lâmpada antiga, somente duas coisas eram necessárias: azeite e pavio!
Azeite é unção. Pavio é humanidade! Limite! O pavio necessitava de cuidados, reparos. Era preciso aparar sua ponta para que não fizesse fumaça demais.

Aparar o pavio é cultivar a memória e a ação sobre as bem-aventuranças que abrem o Sermão do Monte: humildade, mansidão, misericórdia, paz, pureza de coração! É preciso humildade para atuar como luz sem ostentação nem exibicionismo. Por isso Jesus acrescenta: “para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai”: a glória da luz não é nossa! É preciso compaixão: gastar o pavio por amor aos que estão em trevas.

Somos chamados a sermos “cópias de Cristo”: assim como ele iluminou a história, assim também devemos brilhar: Mt. 5. 16: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”.
Até mais...
Alan Brizotti



2 comentários:

  1. Vim fazer-lhe uma visita, e recomendo vivamente que esta Palavra da Verdade nunca se aparte de sua boca, e que os rios do Grande Deus fluam através de seu ser, a graça do Glorioso Jesus brote como um nascente vivo de aguas cristalinas de sua vida para inundar aqueles que sedentos procuram saciar sua sede nos lamaçais deste mundo. Convido a fazer parte de meus amigos na Verdade Que Liberta. Votos de um Feliz Natal e um Ano Novo cheio da graça bendita de Deus. Um abraço.

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  2. Caro irmão Allan Brizotti, paz e parabéns pelo conteúdo da tua página digital. Cópiar a Jesus Cristo em nossos dias é uma tarefa amiúde, ética e extremamente savadora/pacificadora.

    Deixo o convite a visitar, conhecer, seguir e opinar no meu blog:

    http://wwwteologiavivaeeficaz.blogspot.com/

    At.,
    Profº Francisco Netto

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