segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sobre a idolatria evangélica


O evangélico é idólatra! Tenho ministrado em alguns grandes congressos e o nível de idolatria assusta. Basta o cantor (ou pregador) ser famoso e pronto, está deflagrado o processo idólatra. Olhinhos brilhando, tietagem, lágrimas, milhares de fotos, celulares brotando do chão, em alguns lugares gritos eufóricos tiram Cristo do foco e assassinam o sagrado.

A mentalidade evangélica do show não é mais novidade - e a idolatria também não - tanto que já não choca, não "escandaliza" ninguém. Já não se respeita o lugar do culto, a ambiência do sagrado, o momento da adoração. O que importa é tirar fotos com o ídolo, abraçar, chorar, entronizar o novo deus do instante.

Os chamados "artistas gospel" adoram isso tudo! Basta ver em seus rostos a expressão de êxtase por estarem na mira dos holofotes. Notei o modus operandi desses deuses de hoje: as mesmas técnicas dos "artistas" seculares em seus shows: "Joga a mão pra cima!" Enquanto o "culto" se desenrola em sua forçada normalidade, o povo tenta esconder sua alarmante ansiedade pelo show, até que chega o momento esperado: "com vocês: o nosso deus!" E o povo... abraça a idolatria em sua mais nefasta expressão - a substituição do Deus verdadeiro pela cópia bizarra do momento.

Eugene Peterson escreveu: "Gostamos dos ídolos porque gostamos secretamente da ilusão de controlá-los. São deuses destituídos de divindade para que nós possamos continuar a ser deuses de nós mesmos. A adoração de ídolos (em todas as dimensões: céu, terra, embaixo da terra) sempre foi o jogo religioso predileto. A adoração de ídolos é o vazio batizado de espiritualidade" Dt. 5. 8-10.

Não preciso lembrar que a idolatria é um pecado que fere profundamente o coração de Deus, preciso? O grande problema na adoração aos ídolos é a inversão teológica que é feita. Passa-se a adorar o objeto criado ao invés do Criador de todas as coisas (Rm. 1.19-23). Alguns estudiosos trabalham com a ideia de que o deus de uma pessoa é aquilo a que ela dedica seu tempo, seus bens e seus talentos; aquilo a que ela se entrega. A ideia teológica dessa linha de pensamento é a de que sempre que alguém, ou algum objeto, ou até mesmo alguma função ocupa o lugar central em nosso coração, mente e intenção, torna-se um ídolo, porque tomou o lugar que pertence a Deus (Mt. 22.37).

Não há problema em gostar do trabalho de alguém, ou mesmo tirar uma foto com ele(a), mas a questão é: dentro do templo? No ambiente do culto? Qual é a intenção em celebrar tão desesperadamente alguém? Em matéria de idolatria, todo cuidado é pouco.

A W Tozer disse: "Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão".

Até mais...


Alan Brizotti

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Verdades libertadoras sobre a Graça


O simples fato de que Deus derrama sua graça sobre nós já é uma verdade libertadora, tranqüilizadora, transformadora, abençoadora e digna de confiança. Mas, há mais algumas dessas verdades esplêndidas que nos revelam ângulos magníficos do amor e do caráter de Deus:

A graça não excepcionaliza ninguém:

Deus ama os autênticos! A graça não procura os excepcionais, mas os honestos. Seja qual for o seu pecado, sua crise, seu cárcere, a graça o alcança – é para você! Frente à graça somos confrontados para sermos libertos. É quando assumimos quem somos – pecadores – que a graça dá seu espetáculo. Um pregador puritano costumava dizer: “Se não estás perdido, de que te serve um salvador?” A graça é para todos porque ela não depende do que nós fizemos para Deus, mas sim, do que Ele já fez por nós. O mérito da graça é o mérito que não temos. A igreja, como casa da graça, não pode ter privilegiados, prediletos ou caciques e suas excentricidades – ela deve ser de todos, porque é casa da Graça!
A graça é a resposta para o dilema de Deus: um Deus santo amando pecadores:

Deus nos ama, mas nosso comportamento o enoja. Ele é santo, nós pecadores. Deus é justo e nós absurdamente injustos. Como é para Deus lidar com isso? Como se aproximar ao máximo de nós se o pecado e sua podridão nos afasta dele? Aqui é que entra a graça! A grande graça está no fato marcante e decisivo de que Deus não desistiu e não desiste de nós. Na cruz, ele resolve o dilema. Absorve o pecado em Cristo e nos liberta para a plenitude da vida. Como escreveu um pensador: "A graça é a lente através da qual Deus nos enxerga".

A graça nos liberta dos cárceres da alma:

Não há carrasco pior do que o nosso coração. A graça é capaz de eliminar as toxinas da culpa porque nos garante a assombrosa verdade de que Deus nos ama como somos, sem disfarces ou máscaras, sem as tatuagens da religião, sem as sombras do passado. A graça nos liberta para sermos nós mesmos, mas agora transformados por Deus, através do encontro com Cristo. Quando Deus nos transforma, não nos faz sermos aquilo que nunca fomos, pois isso seria admitir uma falha no processo primário da nossa criação. Quando Deus nos transforma, Ele nos devolve à forma original, a que ele pensou, com amor, ao nos criar.
Como escreveu Brennan Manning: “No homem Jesus, vemos a face humana de Deus”. Jesus é a graça encarnada no chão da história.

A graça é a mais extraordinária possibilidade existencial (Is.48)

O texto de Isaías 48 é feito num tom sofrido, pois é Deus tratando a natureza de Israel. A nação de Israel é toda forjada na conflitividade. São filhos do conflito. Israel nasce da luta entre um homem e Deus no Jaboque (Gn.32.22-32). Jacó é a constituição humana de Israel. Essa constituição é extremamente complicada, porque a vida de Jacó é um turbilhão de emoções e sensações. Ele é um homem complicado, um ser em fúria. Parece até uma contradição: o povo escolhido por Deus nasce de homens em crise com Deus. Jacó é um rosto para assumir essa graça.

Há algumas verdades nesse texto que atestam para a graça como a mais extraordinária possibilidade existencial:
Você não é um susto para Deus:

Deus não nega suas escolhas. É gente que ele escolhe, não seres perfeitos. Ele resolveu trabalhar conosco. Deus escolhe gente real, de carne e osso. Gente da pior espécie, gente que precisa de Deus. Se você quiser saber com quem Deus anda, olhe para o Jesus do Novo Testamento: de publicanos e pescadores à mulher samaritana, ele ganhou a fama de “amigo de pecadores” (Mt.11.19). O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, disse: “Jesus foi o homem dos outros” Esse conflito entre o que somos e o que graça quer fazer de nós é chamado de “tensão da graça”: Deus sabe que somos pecadores, mas se nega a deixar que continuemos assim. Mudanças e transformações são especialidades de Deus. Ele nos dá a possibilidade de ser, só para a gente mudar!

A graça quebra as neuroses da vida:

Ela triunfa sobre a síndrome do fatalismo. Transforma os cenários mais trágicos da alma. Ela nos alimenta com a esperança. Através da graça, podemos olhar dentro de nós e almejar a pureza. Ela nos faz encarar os monstros da alma. Nos piores momentos, Deus afirma sua presença. Mesmo nos dias onde tudo à nossa volta aponta para a dolorosa ausência de Deus, ainda assim, a graça nos revela o abraço eterno de um Deus que jamais fica ausente. Deus vê todos os processos de nossa vida, toda a construção histórica que somos é encarada com seriedade e amor pelo Deus que nos criou à sua imagem.

Na graça é que podemos experimentar a paz:

Quando estamos conscientes da atuação sempre fiel da graça de Deus, desfrutamos perfeita paz, pois não estaremos livres das crises, mas aprenderemos com cada uma delas. Não esperaremos que a dor desapareça para que possamos descansar, mas no caos da dor, seremos livres para adorar ao Deus que nos ensina as preciosas lições de sua constante orientação. É o que Davi, no magistral Salmo 23, nos afirma: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo”. Ele não muda o vale, mas o divide comigo. Ele não faz do vale um céu, mas leva o céu para andar comigo no vale, porque Deus sabe que eu preciso do vale para meu crescimento e aprendizado.

John Newton disse: "Não sou o que posso ser, não sou o que devo ser, não sou o que quero ser, não sou o que espero ser; mas agradeço a Deus porque não sou o que outrora era, e posso dizer com o grande apóstolo: 'Pela graça de Deus, sou o que sou'".

Até mais...


Alan Brizotti

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ministério: resgatando a originalidade


Ministério é serviço. A palavra “ministro” vem do termo latino “minister”, que por sua vez, deriva de “minus”, ou seja, “menos”. O “minister” era o servo, o homem do serviço. Na antiguidade, havia o “minister cubiculi”, que era o servo encarregado de arrumar os quartos da casa; havia também o “minister vini”, que era o servo encarregado de manter as taças cheias de vinho nos banquetes. O ministro é chamado para servir.

Em João 13, Jesus dá o grande exemplo: deixa a mesa principal e parte para o serviço. Esse ato nos dá a dimensão maior do ministério: somos chamados para servir. O apóstolo Paulo mostra no texto de I Tm. 6.11, uma lista de qualidades que o ministro deve ter: justiça, piedade, fé, amor, paciência, mansidão. Todas são qualificações para a prestação de um serviço digno.

Ministério não é vitrine para um desfile de uma personalidade doentia, marcada pela vaidade; não é para os viciados em bajulação. Ministério é para trabalhadores da seara, servos. Um pastor antigo dizia: “O símbolo do ministério é o avental sujo”.

Vejamos algumas dimensões do ministério verdadeiro:

1. Caráter: o fundamento do ministério (Fp.2.14-16)
2. Serviço: a natureza do ministério (II Tm.2.3, 4)
3. Amor: o motivo do ministério (Rm.12.9-11)
4. Sacrifício: a medida do ministério (Sl.40.5-9)
5. Submissão: a autoridade do ministério (Fp.2.5-8)
6. Glória de Deus: o propósito do ministério (I Co.10.30-32)
7. Palavra e oração: as ferramentas do ministério (Hb.4.11-13)
8. Crescimento da obra: O privilégio do ministério (Mt.13.31, 32)
9. Espírito Santo: o poder do ministério (Ef.5.18-20)
10. Cristo: o modelo do ministério (Hb.7.22-27)

Olhando para a crise de vocação e chamado, uma pergunta insiste em ficar: Quem é o homem que Deus chama? (II Tm.1.9)

Aristóteles costumava dizer: “Onde as necessidades do mundo e suas habilidades se cruzam, aí está sua vocação”. Vocação é aquilo que somos, não apenas o que fazemos. Aquele que não sabe ao certo quem é, não sabe ao certo o que deve fazer nem como fazer.

Vocação e chamado são duas faces da mesma moeda. Que moeda é essa? Propósito! O propósito de Deus para nós é o que nos chama, nos vocaciona para que nossas vidas sejam plenas de significado. Para que aquilo que somos seja a verdade maior, e assim, não nos tornemos uma contradição. Assim, não somos destruídos pelo vazio da atualidade e nem fazemos uma série de coisas para abafar o grito de socorro da alma.

Deus chama gente marcada pela graça. Seres vocacionados pelo amor, chamados para a “boa obra”, o “bom combate”, que tenham desprendimento das “coisas desta vida”, e que saibam viver para a glória de Deus. Deus chama seres que possam ser seguidos, que tenham as marcas da cruz. Uma frase muito sábia diz: “Liderar não é dar ordens, é ser seguido”.

Ministério é muito mais do que invencionices neopentecostais, é serviço!


Até mais...


Alan Brizotti

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Deus o Diabo e Eu: conflito de poderes?


Minutos atrás li uma matéria onde o jornalista enfatizava as diferenças entre a seleção de Dunga e a de Mano Menezes. E o motivo principal do fracasso da seleção de Dunga, segundo o "gênio" da matéria foi o grande número de jogadores evangélicos. Nas palavras de Paulo Cobos, autor da matéria: "Saem a 'caretice' e o fervor religioso do time que fracassou na Copa da África para entrar um grupo cheio de 'estilo', com histórico recente de baladas e que não põe Deus em qualquer assunto".

Após a leitura desta pérola do preconceito religioso, algumas perguntas ficaram em minha mente: por que sempre culpam Deus? Por que nunca se fala no Diabo, por exemplo? Por que é "caretice" acreditar em Deus, mas cult acreditar em vampiros, bruxas, duendes, gnomos, demônios e personificações do mal? Você já viu algum jornalista afirmar que algum acidente, bomba, crime hediondo ou catástrofe foi culpa do Diabo???? E se for?

O Diabo é um ser extremamente inteligente. Gênio do marketing, sabe perfeitamente como manipular, seduzir, encantar, ocultar-se atrás dos punhos fechados contra Deus. Engana-se muito quem pensa que o Diabo está em guerra contra Deus - NÃO - ele sabe que já perdeu! Sua guerra é para desmoralizar, zombar, destruir a verdade de que Deus é amor, bondade, justiça e paz! É muito mais fácil e garantido para ele culpar Deus por tudo, desencadeando processos de fúria, do que chamar para si a atenção. Os desavisados comem em seu prato.

R H Charles, em The apocrypha and pseudepigrapha of the Old Testament, Oxford: Clarenden, 1913, p. 136, diz que "para iludir Eva, a serpente sobe aos muros do Paraíso e canta hinos celestiais como um anjo - uma vez que, anteriormente, ele próprio foi um dos arcanjos de Deus". Essa tática da sedução ainda é largamente utilizada. Ainda há gente capaz de acreditar nas mais diabólicas mentiras, mas não no amor de Deus.

O Diabo sempre soube se promover. Na França, prevalece a ideia de que nos grandes mistérios não deveria haver menos de quatro diabos, origem da expressão "fazer o Diabo a quatro". Sem falar nos "quintos dos infernos", nos nomes mirabolantes que se inventam no imaginário popular. Na qualidade de imitador de Deus, o Diabo se delicia em invadir os corpos e possuí-los, zombando assim da encarnação de Cristo, o gesto grandioso de Deus. Rubem Alves diz que a possessão demoníaca é força sem amor, é quando o Diabo faz com o corpo o contrário do que faria o amor.

Não estou dizendo que tudo de ruim que acontece é culpa do Diabo. Mas também não é culpa de Deus. Há um terceiro poder envolvido - Eu. O homem tem sua parcela de culpa. A terra agoniza em sujeira e corrupção porque homens inescrupulosos não medem esforços nem consequências quando o assunto é o lucro. Aliás, esse é um deus com imenso poder - Dinheiro! Em nome da Trindade Substituta: Eu, Dinheiro e Poder, inúmeros males são deflagrados todos os dias.

Antes de culpar Deus, pense: quem realmente está agindo?


Até mais...


Alan Brizotti




sábado, 7 de agosto de 2010

Inveja: a monstruosidade do íntimo


Alguém disse que "o ódio é assinado, mas a inveja é anônima". Essa clandestinidade, esse caráter oculto, acaba por criar uma armadilha mortal, pois não conseguimos perceber que nossos atos e palavras, às vezes, são motivados pela mesma inveja que facilmente diagnosticamos na conduta do outro. Como disse William Hazlitt, "nós facilmente convertemos nossos vícios em virtudes, e as virtudes dos outros em vícios".

A inveja sempre foi um assunto estranho. Sempre gerou reações. É difícil falar ou ler sobre ela sem ser atingido pelo assunto. A inveja tem a capacidade de esconder-se, agir sem despertar aplausos. Zuenir Ventura escreveu: "O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde". O professor Gabriel Perissé acertou em cheio quando escreveu o que pensa um invejoso: "que ninguém veja a minha inveja... nem eu".

O invejoso vive ruminando angústias, mastigando amarguras. Nunca confessa sua inveja, pois é humilhante demais reconhecer que inveja o outro. É uma verdadeira tortura. O cúmulo da inveja é quando o invejoso passa a invejar os que conseguiram livra-se da inveja! É um ciclo do mal. Uma praga que habita a intimidade. Uma espécie de diabolização que faz com que tudo que o outro possuir despertará a dor da alma. Uma frase antiga diz: "Não grite alto a tua vitória, pois a inveja tem o sono leve!"

Ivonne Bordelois definiu que do ponto de vista etimológico, a inveja é cegueira em diversos sentidos. Um primeiro sentido possível de "in" + "videre" (ver): a partícula "in" tem aqui a ideia de oposição, ou seja, ver invejosamente é ver "contra". Ver torcendo contra. É alegrar-se discretamente quando a pessoa invejada perde os bens que possuía. Em alemão, a alegria de ver o fracasso alheio tem um nome: schadenfreud - numa tradução livre, "o amigo-da-onça".

A cada vez que o invejado faz sucesso, o invejoso morre um pouco, mas também renasce quando a desgraça se abate sobre o outro. Esse é outro sentido para a palavra inveja. Atribuindo à partícula "in" a ideia de penetração. O olhar invejoso perfura o invejado, quer matá-lo, perfurá-lo, ferí-lo com esse olhar-faca, olhar do rancor, olhar doente. Esse é o legítimo "olho gordo", o olho descomunal, inchado por sua doença secreta.

Um terceiro sentido, é quando atribuímos à partícula "in" a negação: inveja é in-visão, o não-ver, a cegueira! Perissé escreveu que "quanto maior a inveja, menor o coração". É a cegueira da alma. Giovanni Papini, escritor italiano, disse que "a inveja é a sombra obrigatória do gênio e da glória". Não é fácil desempenhar uma missão quando estamos sob a mira fria dos invejosos.

A monstruosidade do íntimo ainda atinge muita gente. Portanto, costumo brincar dizendo que se você estiver olhando para o sucesso de alguém usando óculos escuros, cuidado, a inveja pode ter cravado suas garras em você, pois como definiu Plutarco: "a inveja é como os olhos que se irritam diante de tudo que tem brilho".

Até mais...


Alan Brizotti

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"Louvado seja EU": sobre o homem como centro da hinologia contemporânea


Faz muito tempo que Deus não é louvado na igreja brasileira. A esmagadora maioria dos "hinos" cantados são focados única e exclusivamente no homem, em seus anseios mais infantis, em seus delírios consumistas. No reinado da mesmice musical, as frases, os determinismos, sempre giram em torno dessa autoajuda empobrecida que se alastrou pelas igrejas. Os novos mantras da musicalidade e(vã)gélica invasiva dos cultos, não tratam Deus como Deus, mas como um serviçal sagrado, cada vez mais vítima dos desmandos de uma gente mandona!

Não suporto mais a coreografia gospel do: "vire para o seu irmão e profetize!"; "dá glória!"; "determine!" Estive observando a repetitividade das frases de efeito: "Você é um campeão" (campeã das frases). "Você nasceu pra vencer" (agora, se dez pessoas estiverem orando por uma vaga de emprego, nove serão perdedores, né?). "Você nasceu pra brilhar"; "Você é uma estrela"; "Seus inimigos não vão morrer enquanto você não for exaltado na terra!" (essa é a teologia Bin Ladeniana, onde o que importa não é vencer, mas sim humilhar os que perderam).

Não suporto mais o culto invasivo. Quero ter o direito de ficar sentado. Quero poder estar triste no culto! Quero ter o direito de não cantar. Não preciso ficar em pé, abraçar o indivíduo ao meu lado ou levantar a mão para que todos saibam que estou cultuando, ou que sou vitorioso. Não preciso provar nada pra ninguém! E tem mais: se o culto é pra Deus, somente Ele pode julgá-lo bom ou ruim, e não os tais "ministros de louvor".

Isso sem falar no choro sem lágrima, a nova modalidade de "quebrantamento" utilizada pelos gurus musicais das igrejas. Aquela ladainha melosa, misturada a uma fungadinha aqui outra lá. Gente passando o lenço no rosto pra enxugar lágrimas tão falsas quanto seu ministério. Enquanto isso Deus chora - e com muitas lágrimas - por ver ao que reduzimos o louvor ao seu nome. Ele sofre pela tragédia musical da atualidade.

O homem contemporâneo tornou-se o deus de seu próprio louvor. Quando isso acontece, biblicamente só há um nome: idolatria!

Por essas e outras é que ainda amo o louvor do silêncio...


Até mais...

Alan Brizotti

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