sábado, 25 de abril de 2009

Faça um favor a si mesmo: viva!


"Morra na hora certa". Friedrich Nietzsche (que morreu com dez anos de atraso)


Tenho tentado viver. Venho fazendo esse favor a mim mesmo. Tem sido bom. Há algumas coisas que amo e outras que odeio. Amo a liberdade e odeio regras e dogmas. Amo minha esposa, meu filho e meus livros. Detesto gente chata, fresca, "metida a besta". Amo gente simples, mestres da vida, gente que pode até não saber falar todos os idiomas, mas domina a linguagem acolhedora do amor. Amo e odeio, o nome disso é viver...

Viver vai muito além do que eu possa explicar, é uma espécie de ser-se assim como se é. Sem hipocrisias, interesses e ideias prontas. Sem tripudiar dores alheias. Shakespeare dizia que "zomba de cicatrizes aquele que nunca passou pela dor". Talvez isso tudo que estou escrevendo nada tenha em comum com a verdade da vida - é só uma tentativa de olhar no espelho dela.

Tô procurando encantos perdidos. A gente cresce e todo o resto diminui. Quero sentir o ar tocando meu rosto sem a preocupação com um provável resfriado. Se o tal resfriado chegar, legal, vou aproveitar um pouco mais a minha cama quente. Quero querer. Quero falar besteira (não quero ser um cara obrigado a só falar coisas incríveis, mas nunca ser visto como gente, apenas como um link de carne e osso). Quero dormir. Quero acordar. Quero ser...

Viva! Esqueça reuniões, cultos intermináveis, explicações metódicas pra tudo, chefes irritantes e gente cansativa. "Carpe Diem!" É bom saber que a vida é bela, pena que é curta. Não desperdice a vida. O lamento de T.S. Eliot ainda ecoa: "onde está a vida que nós perdemos vivendo?" Coisa chata é viver sem ter a certeza feliz de que isso é bom.

Vamos fazer um teste? Que tal aproveitar a vida com todas as forças? Tente. Uma semaninha apenas. Se der certo, parabéns! Se der errado, maravilha! Viver é exatamente essa corda bamba simplesmente imprevisível...

Como escreveu Epícuro: "Por que temer a morte? Enquanto somos, ela não existe. E quando ela passa a existir, nós deixamos de ser".

Até mais...

Alan Brizotti

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Por que?


Adoro perguntar. Odeio responder. Explico: a pergunta liberta, abre possibilidades, vai fundo nas camadas internas da alma. A resposta fecha. É chata. Se apresenta e define, não deixa margem pra gente brincar. A pergunta é criança. A resposta é adulta, ranzinza. Quando pergunto meus olhos procuram no desconhecido alguma essência, como as mãos de um cego vão procurando no livro a maravilha da leitura.

Conta-se que um garoto perguntou ao seu mestre: "Qual é o sentido da vida?", e o mestre, sorrindo, disse: "Você não acha que essa é uma pergunta maravilhosa?". O garoto responde que sim. Então o mestre disse: "Por que, então, trocá-la por uma resposta?". Perguntas me chamam pra dançar no salão do que eu não sei, já as respostas não sabem dançar...

Quero expor algumas perguntas, apenas pelo puro prazer de provocar. Não vou responder - não quero - só quero pegar cada pergunta no colo e sorrir:

Por que a gente passa a vida inteira procurando saber o que é viver, e quando realmente aprende, tá na hora de morrer?

Por que a gente veste roupas especiais para as visitas (às vezes nem tão especiais assim...), e aquelas camisetas de eleição para os amados do lar?

Por que a gente começa a vida perguntando de tudo (quando criança) e termina achando que tem todas as respostas?

Perguntaram a um poeta: "Quando o senhor começou a fazer poesia?", ele disse: "A questão não é quando eu comecei, mas quando foi que você parou!"

Por que a gente esquece datas que nos fizeram realmente viver?

Por que a gente procura Deus na igreja?

Por que a gente briga com os amigos por coisas, quando o que interessa são eles enquanto pessoas?

Philip Yancey faz umas perguntas...

Por que a maioria dos livros teológicos mostra Deus como lógico, ordeiro, imutável e inefável, enquanto a Bíblia o retrata como emocional, flexível, vulnerável e, acima de tudo, apaixonado?

Por que os pecadores sentem tanta atração por Jesus e tanta repulsa pela igreja?

Perguntar não ofende, mas fende a muralha da mudez.

Até mais...

Alan Brizotti

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Meu sonho de igreja



Henrique Rojas no seu livro “O homem moderno” disse: “O homem é sobretudo futuro”. Gosto dessa frase. Ela me aponta um caminho, pinta as cores vivas da esperança. Como outro poeta escreveu: "a esperança é uma memória que deseja". Eu desejo uma igreja-outra.

Sonho com uma igreja da genuína celebração. Uma igreja onde os diferentes possam con-viver em plenitude, sem preconceitos, cobranças, olhares diabólicos. Uma festa da vida.

Sonho com uma igreja onde o amor possa existir sem culpas. Onde ele não seja apenas retórica vazia, sentimentalismo melodramático ou evasivas evangelicalistas. Onde ele se en-carne. Onde beijos, abraços e carícias tenham liberdade e possam brincar... Onde o amor seja amado. Onde ele possa simplemente ser...

Sonho com uma igreja da liberdade. Um encontro humano como tal. Sem regras nem mordaças, sem cabrestos ou ditadores. LIBERDADE! Sonho com a liberdade que nos pegará no colo e nos levará pela vida. Cazuza tinha razão: "Vida louca, vida breve/já que eu não posso te levar, quero que você me leve".

Sonho com uma igreja da alegria. Onde sorrisos e lágrimas possam entrar e sair sempre que desejarem. Uma igreja onde a tristeza possa ter liberdade, pois sem ela a alegria não tem onde brincar. Uma igreja onde não seja proibido sofrer, pois cada aperto de dor sinaliza o delírio que virá...

Sonho com uma igreja que sei que não existe. Assumo meu romantismo, minha utopia. Aliás, não espero sua aprovação ao meu sonho, apenas seu respeito. Que na igreja possamos divergir sem nos destruirmos. Que você ame também aqueles que discordam.

Esse sonho é meu, só meu. Sonhar é bom, pena que passa... Desculpe, o despertador alucinado da violenta realidade começou a histeria de sempre... o mesmo barulho insano. Esse barulho é o sinal que me avisa: "Acorde garoto, esse é apenas um futuro que você nem sabe se vem".


Até mais...

Alan Brizotti

terça-feira, 14 de abril de 2009

Seja um idiota (por Arnaldo Jabor)


A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! Avida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.

Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro,sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor ideia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". “Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"


Até mais....

domingo, 12 de abril de 2009

Dicionário Brizotti: um outro olhar sobre as palavras


Adoração: Encontro com Deus

Alegria: Presença de Deus

Bíblia: Um espelho de Deus

Bom: Tudo aquilo que recebe o toque da graça

Cristão: Amigos de Cristo

Cruz: A morte produzindo vida

Diferença: A capacida de ser-com-os-outros e não contra-os-outros

Dor: A excelência no aprendizado

Espelho: O objeto que me suporta todos os dias

Espiritualidade: A vida que espelha Cristo

Falsidade: A guerra de duas faces na mesma alma

Família: O encontro humano das possibilidades

Filosofia: O prazer de perguntar

Graça: O escândalo bendito

Grito: Aquilo que une alma e espaço num mesmo som

Hipocrisia: A infecção das intenções

Homem: Brisa em busca de plenitude

Identidade: Proposta e resposta em mim

Ira: Dinamite armada no ser

Jesus: Nervo exposto de Deus na história

Justiça: Cega, surda, muda e... lenta

Lembrança: Ecos da eternidade

Liberdade: O ritmo do vento

Música: Encontro com a perfeição

Necessidade: O homem

Nuvens: Parábolas dos dias

Olhar: Verbo declinado todos os dias

Ouvir: Como seria o mundo sem som?

Pecado: Dissonância íntima

Prazer: O abraço honesto

Qualidade: Aquilo que o homem sempre exagera

Querer: Eu sempre quero mais...

Raízes: Verdades ocultas

Renúncia: Aquilo que carecemos, mas que detestamos

Sinceridade: O espinho na rosa

Sol: Imagine o que ele contaria do humano se pudesse falar...

Ter: Aquilo que define as pessoas na atualidade - a doença do hoje

Trabalho: Transformação do suor em sementes

Unção: Simplesmente amor

Unidade: Celebração das diferenças

Vida: A maravilha que é

Virtude: Sem amor é contradição

Zelo: Compreensão do outro


Até mais...


Alan Brizotti

domingo, 5 de abril de 2009

Igreja: a noiva envergonhada

A noiva anda envergonhada...

A figura da noiva sempre foi associada à pureza, beleza e encanto, contudo, o mundo em que vivemos conspira fortemente contra tudo que é puro... e a noiva sofre. Depois da cirurgia pra "devolver" a virgindade, a imagem da noiva ficou ainda mais comprometida... a tecnologia a violentou...
Nos próprios círculos eclesiásticos a noiva vem sendo alvo de terríveis agressões. Há os pregadores da marreta: gente especializada em espancar a noiva! Pregações hábeis nas "artes marciais homiléticas", mas carentes de amor e ternura. Pregadores da fúria, confundem santidade com autoritarismo, exortação com pancadaria e observação amorosa com julgamento e execução. Pobre noiva...
Com o desencanto pelo casamento cresce também a indiferença para com a noiva. Só Deus sabe o que a brancura de alguns vestidos esconde... A noiva anda se prostituindo. Ela está se transformando numa habitante do mundo das sombras. Ela fez suas malas e foi "morar junto" com o pecado! Se ela voltar encontrará abrigo?
Descobriram os segredos da noiva! A vergonha está no ar. O Adversário - acusador - anda em êxtase! Ele tem cartas na manga. Seu dedo em riste não sai mais do rosto avermelhado da noiva. Conta-se que o grande pintor Rafael estava trabalhando nos afrescos de uma capela, quando um dos Cardeais chegou para inspecionar a obra: "O rosto do apóstolo Paulo está vermelho demais!", disse o Cardeal metido a expert. Rafael simplesmente respondeu: "Ele cora ao ver nas mãos de quem está a igreja!"
Volta noiva! Oh, Noiva Amada! O Noivo a ama! "A noiva pertence ao noivo" (João 3.29).
Até mais...
Alan Brizotti

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dr. Jorge H. Barro: Um mestre da Missio Dei


Na última segunda (30/03), tive a honra de participar de uma aula com o Dr Jorge Barro na FTSA (Faculdade Teológica Sul Americana), em Londrina-PR. Fiquei profundamente impactado com a sensibilidade e a visão missiológica do Dr Jorge. Sua simplicidade e acessibilidade me encantaram. A igreja precisa muito de homens assim.

Acompanho o pensamento do Dr Jorge Barro há um bom tempo. Seus livros e artigos sempre me inspiraram (De Cidade em Cidade - Ed. Descoberta; Discernimento Espiritual - Abba Press, e outros) foram textos dos quais aprendi muito e ainda aprendo. Aliás, faça um favor a si mesmo: leia o Dr Jorge Barro. Suas obras, juntamente com Antonio Carlos Barro e Julio Zabatiero, são referenciais da missão integral.

Além de me receber na Faculdade com imensa honra, o Dr Jorge ainda me presenteou com um livro (O livro, na verdade): Missão Integral: ensaios sobre o Reino e a Igreja, C. René Padilla - ed. Descoberta. Um texto magnífico sobre a missão integral e sua abrangência. Leia-o também. Como o Dr Jorge escreveu: "Ser igreja na América Latina hoje é ser uma igreja integral".

Uma coisa que me impressionou no Dr Jorge Barro foi sua paixão incondicional pela Missio Dei. Suas frases são repletas do envolvimento radical com a missão. Ele mesmo se denomina "um missiólogo com pitadas teológicas". Na verdade, um teólogo da missão! Na aula (que aula!), uma frase que falou profundamente comigo foi: "toda unção que não desemboca em missão é demoníaca!"Que essa paixão pela missão possa arder em meu peito também!

Valeu doutor. Obrigado pela marca que o senhor deixou em minha vida. A construção do meu pensamento teológico carregará suas digitais também. Posso dizer com extrema alegria: eu conheci pessoalmente o Dr Jorge H. Barro!

Gabriel Perissé tem razão: "Os professores devem estar atualizados, informados, formados, reformados, transformados (jamais transtornados), ciclados e reciclados, abertos e preparados, cientes e conscientes, ativos e perceptivos, lúcidos e a postos, vivendo sem medo, em paz, lecionando com amor e criatividade, enfim, devem reunir todas as qualidades, viver com heroísmo e santidade todas as virtudes, devem ser mitos, lendas, utopias vivas".

Até mais...

Alan Brizotti


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