
"Morra na hora certa". Friedrich Nietzsche (que morreu com dez anos de atraso)
Tenho tentado viver. Venho fazendo esse favor a mim mesmo. Tem sido bom. Há algumas coisas que amo e outras que odeio. Amo a liberdade e odeio regras e dogmas. Amo minha esposa, meu filho e meus livros. Detesto gente chata, fresca, "metida a besta". Amo gente simples, mestres da vida, gente que pode até não saber falar todos os idiomas, mas domina a linguagem acolhedora do amor. Amo e odeio, o nome disso é viver...
Viver vai muito além do que eu possa explicar, é uma espécie de ser-se assim como se é. Sem hipocrisias, interesses e ideias prontas. Sem tripudiar dores alheias. Shakespeare dizia que "zomba de cicatrizes aquele que nunca passou pela dor". Talvez isso tudo que estou escrevendo nada tenha em comum com a verdade da vida - é só uma tentativa de olhar no espelho dela.
Tô procurando encantos perdidos. A gente cresce e todo o resto diminui. Quero sentir o ar tocando meu rosto sem a preocupação com um provável resfriado. Se o tal resfriado chegar, legal, vou aproveitar um pouco mais a minha cama quente. Quero querer. Quero falar besteira (não quero ser um cara obrigado a só falar coisas incríveis, mas nunca ser visto como gente, apenas como um link de carne e osso). Quero dormir. Quero acordar. Quero ser...
Viva! Esqueça reuniões, cultos intermináveis, explicações metódicas pra tudo, chefes irritantes e gente cansativa. "Carpe Diem!" É bom saber que a vida é bela, pena que é curta. Não desperdice a vida. O lamento de T.S. Eliot ainda ecoa: "onde está a vida que nós perdemos vivendo?" Coisa chata é viver sem ter a certeza feliz de que isso é bom.
Vamos fazer um teste? Que tal aproveitar a vida com todas as forças? Tente. Uma semaninha apenas. Se der certo, parabéns! Se der errado, maravilha! Viver é exatamente essa corda bamba simplesmente imprevisível...
Como escreveu Epícuro: "Por que temer a morte? Enquanto somos, ela não existe. E quando ela passa a existir, nós deixamos de ser".
Até mais...
Alan Brizotti




