quarta-feira, 31 de julho de 2013

Uma palavra sobre perdão


 
 
 
 
 
 
A interpretação rabínica leva o mandamento “Não Matarás” (Dt. 5. 17) a uma dimensão profunda, que vai muito além do fato óbvio de não cometer algum assassinato. Os rabinos afirmam: “Não negarás ao outro o direito de existir em tua vida” – perdoe! É o mandamento do perdão.

O famoso filme “Love Story”, de Arthur Miller, popularizou uma frase infeliz: “Amar é não ter de pedir perdão”. Mas a celebração do evangelho nas almas livres dos cárceres da culpa e da vingança, curiosamente vai na direção oposta: quanto mais amamos, mais temos a sensibilidade de pedir e dar o perdão.

O perdão nos liberta das amarras do ressentimento que, literalmente, significa “sentir de novo”. O perdão nos liberta da compulsão da repetição. Alguém disse que “guardar ressentimentos equivale a ingerir veneno esperando que aquele que nos ofendeu morra”. Philip Yancey disse “que o próprio termo ‘perdoar’, em português, já contém a palavra ‘doar’”.

O evangelho simples da graça é todo feito com perdão – do início ao fim. No original grego, a palavra mais usada para perdão significa, literalmente, “soltar, jogar para longe, libertar-se”. A alma livre, se mantém em liberdade aprendendo a jogar para fora futuras frustrações.

Um rabino que foi morar nos Estados Unidos saindo dos campos de concentração nazistas, disse: “Antes de vir para a América, precisei perdoar Adolf Hitler. Eu não queria trazer Hitler dentro de mim para meu novo país”. Como dizia o teólogo Paul Tillich: “O perdão é o ato de lembrar o passado para que ele possa ser esquecido”.

Perdoe. Liberte-se. Viva!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

35 razões para não pecar (Jim Elliff)


 
 
 
1 – Porque um pequeno pecado leva a mais pecados.
2 – Porque o meu pecado evoca a disciplina de Deus.
3 – Porque o tempo gasto no pecado é desperdiçado para sempre.
4 – Porque o meu pecado nunca agrada a Deus; pelo contrário, sempre O entristece.
5 – Porque o meu pecado coloca um fardo imenso sobre os meus líderes espirituais.
6 – Porque, no devido tempo, o meu pecado produz tristeza em meu coração.
7 – Porque estou fazendo o que não devo fazer.
8 – Porque o meu pecado sempre me torna menor do que eu poderia ser
9 – Porque os outros, incluindo a minha família, sofrem conseqüências por causa do meu pecado.
10 – Porque o meu pecado entristece os santos.
11 – Porque o meu pecado causa regozijo nos inimigos de Deus.
12 – Porque o meu pecado me engana, fazendo-me acreditar que ganhei, quando, na realidade, eu perdi.
13 – Porque o pecado pode impedir que eu me qualifique para a liderança espiritual.
14 – Porque os supostos benefícios de meu pecado nunca superam as conseqüências da desobediência.
15 – Porque o arrepender-me do meu pecado é um processo doloroso, mas eu tenho de arrepender-me.
16 – Porque o pecado é um prazer momentâneo em troca de uma perda eterna.
17 – Porque o meu pecado pode influenciar outros a pecar.
18 – Porque o meu pecado pode impedir que outros conheçam a Cristo.
19 – Porque o pecado menospreza a cruz, sobre a qual Cristo morreu com o objetivo específico de remover o meu pecado.
20 – Porque é impossível pecar e seguir o Espírito Santo, ao mesmo tempo.
21 – Porque Deus escolheu não ouvir as orações daqueles que cedem ao pecado.
22 – Porque o pecado rouba a minha reputação e destrói o meu testemunho.
23 – Porque outros, mais sinceros do que eu, são prejudicados por causa do meu pecado.
24 – Porque todos os habitantes do céu e do inferno testemunharão sobre a tolice deste pecado.
25 – Porque a culpa e o pecado podem afligir minha mente e causar danos ao meu corpo.
26 – Porque o pecado misturado com a adoração torna insípidas as coisas de Deus.
27 – Porque o sofrer por causa do pecado não tem alegria nem recompensa, ao passo que sofrer por causa da justiça tem ambas as coisas.
28 – Porque o meu pecado constitui adultério com o mundo.
29 – Porque, embora perdoado, eu contemplarei novamente o pecado no Tribunal do Juízo, onde a perda e o ganho das recompensas eternas serão aplicados.
30 – Porque eu nunca sei por antecipação quão severa poderá ser a disciplina para o meu pecado.
31 – Porque o meu pecado pode indicar que ainda estou na condição de uma pessoa perdida.
32 – Porque pecar significa não amar a Cristo.
33 – Porque minha indisposição em rejeitar este pecado lhe dá autoridade sobre mim, mais do que estou disposto a acreditar.
34 – Porque o pecado glorifica a Deus somente quando Ele o julga e o transforma em uma coisa útil; nunca porque o pecado é digno em si mesmo.
35 – Porque eu prometi a Deus que Ele seria o Senhor de minha vida.

Renuncie seus direitos
Rejeite o pecado
Renove sua mente
Confie em Deus
Copyright: © CCW www.ccwtoday.org / Editora FIEL 2009. www.editorafiel.com.br
Permissões: O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.


 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Antes que o mundo acabe...





Gostaria que você, meu amigo(a), refletisse sobre algumas coisas que realmente merecem atenção:

Antes que o mundo acabe, pense:

Quantos abraços você deu nas pessoas que ama? O abraço é o amor chamando para dançar. A deliciosa sensação do aperto, o som discreto dos corações, o cheiro de quem amamos. O abraço é democrático - nele cabe a celebração e o luto, o riso e a lágrima. Abraço quando venço e sou abraçado quando fracasso. Se o mundo acabasse dia 21 eu teria a quem abraçar...

Você ouviu aquela música? Sabe a sensação de fechar os olhos e entregar-se a uma melodia que foi tão profundo na alma que deixou marcas? Cada acorde é uma viagem, convite ao sonho. Lembranças gostam de dançar embaladas ao som da saudade. Ritmos que, na verdade, vivemos. A música é a sublimidade que mistura silêncio e som. Músicas marcam amores. Se o mundo acabasse dia 21 eu teria uma trilha sonora do amor... Como Chico Buarque canta em "Beatriz", "para sempre é sempre por um triz"...

Quantas vezes você disse: "eu te amo"? É bom ouvir essa frase. Ela carrega o poder de libertar. É a frase do ilimitado. É preciso coragem para dizê-la - ou um motivo! O frenesi do fim do mundo oferece os dois: coragem e motivo (ou desculpa). Essa frase não é apenas uma entre tantas, mas a escolha certa na sociedade das opções mesquinhas. É o teste da permanência na era dos sentimentos descartáveis. Se o mundo acabasse dia 21 eu disse essa frase tantas vezes que ela se materializou em minha esposa e nosso filhinho.

Quantas vezes você foi grato(a)? Gratidão é conseguir ver o que os outros já fizeram. Agradecer é uma espécie de arte, celebração que esmurra o ego. Quem agradece é subversivo, revolucionário, pois num tempo marcado por deturpações como individualismo, consumismo e exclusivismo, agradecer é ser alvo do milagre da descentralização. Se o mundo acabasse dia 21 eu só teria motivos de gratidão, pois vivi por pura graça!

O que você fez da sua vida? Como escreveria sua última frase? O que seria registrado naquela folha que o último vento levasse? Somos apenas humanos com medo de terminar.... Frágeis, perecíveis no tempo, arrastados pela expectativa do mundo não acabar, não ter fim, só finalidade! Sua vida é uma história de amor com o tempo ou uma fuga desesperada pelos dias? Se o mundo acabasse dia 21 eu seria um protesto, porque sei que vivi para não amaldiçoar o fim, mas para finalizar começos...

Até o dia 22

Alan Brizotti 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Reticências da arte




            Sabe aquela sensação de olhar um quadro e não entender nada? Sabe aquela sensação de assistir um filme e sentir que “ficou no ar”. A arte tem essa dimensão: a sensação do abandono, da leveza irritante. A dialética da desconstrução. Alguém disse que a arte é aquilo que nos trai.

            Tenho fome de arte, da verdadeira arte – essa arte da traição. Aquela que consegue deixar uma interrogação nervosa nos delírios de consumo. Aquele que se nega a vender como produto do mercadão de banalidades. Aquela que, ao me atingir, deixa a sensação da raiva e acabo idiotamente feliz. Gosto da arte que desafia, que não aprisiona o mistério. Arte que é...

            Por favor, não me fale de “artistas”. Esse é um termo prostituído, vampirizado, banalizado, imbecilizado. Hoje, “artista” é o que decora textos pobres e rimas mecânicas. É o que dança tristemente os passos ordenados por uma ordinária coreografia. “Artista” hoje é o que vale o preço do ingresso – não sobra nada além dos míseros trocados.

            A arte é a libertação do “artista”. É não se render aos gigolôs da sociedade do consumo. É não gerar as mesmas risadas, ou as mesmas lágrimas do comodismo. A arte conhece outros caminhos para chegar ao coração – é subversiva! Dificilmente passa pelas veias largas das sensações e arrepios que desembocam em aplausos frenéticos e sem juízo. Isso é entretenimento, que muito raramente, é arte. A arte grita na desconstrução do murmúrio. Ora no altar do silêncio. É filha do caos. Apaga velas.

            A verdadeira arte reconhece as pretensões da linguagem. Sabe o limite. Talvez seja a nossa única transcendência. A arte é o sublime que esqueceu de sair daqui. Esconde-se num grafite, numa mão atirando fúrias na tela vazia. É capaz de incapacidades. Age no retrocesso, no reverso, no não-ir, não-ser...

            Arte não se explica, se desespera.
 
            Até mais...
            Alan Brizotti
 
 


 

 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quando o ídolo sou eu


          
            A idolatria sempre foi o jogo religioso predileto. Sempre esteve presente. Agora, numa nova modalidade. Já lutamos contra os ídolos, mas hoje, os ídolos somos nós!
            Vejo pessoas com os olhos brilhando, as mãos suando frio, celulares a postos não perdem nada, euforia total, histeria... Tudo para o “artista gospel” do momento. Não consigo enxergar nenhum dos dois: arte, nem “gospel” (“boas novas”, em alusão ao evangelho, em inglês).
            Antecipo que serei absurdamente criticado por esse post. As desculpas estão na ponta da língua. Vejo cantores, cantoras, pregadores, pastores e até igrejas sedutores em seus holofotes, extasiados por seus fã-clubes. Ídolos que adoram ser adorados! Algumas igrejas são verdadeiras grifes religiosas – se você não faz parte delas está fora de moda, sem nenhum “curtir”.

            Se você que está lendo esse post agora tem seu próprio fã-clube e está tentando encontrar soluções para essa contradição, pense nas seguintes perguntas:

            1. Como é a sensação de ver as pessoas admirando e idolatrando você, gritando seu nome. É bom? É gostoso?

            2. Quando você chega a uma igreja, praça ou evento e ninguém te reconhece, dói? Você se sente mal?

            3. Quantas vezes você leu sobre idolatria na Bíblia?

            Percebe? O ídolo hoje sou eu! Já não dói mais roubar a glória de Deus. Não assusta mais saber que Deus destrói os ídolos. Não há mais o senso do sagrado terrível.

            Vejo cantores(as) “agradecendo” no lançamento do CD ou DVD com a seguinte frase: Deus cumpriu sua promessa, seu sonho. Intrigante é que essa “promessa/sonho” é gradual: se o tal CD “estourar” foi uma grande obra de Deus, se não vender nada foi “provação de Deus para o meu crescimento, visando o próximo CD”. Eu, eu, eu! Ah! A criatividade gospel...
            Vejo pastores e suas fotos espalhadas por todos os lugares. É a nova Onipresença dos deuses de hoje. Não é pecado tirar foto com alguém, o problema é sentir-se o pior do mundo quando ninguém tirar foto com você. É o “pastorado imagético”, a contradição total: viver pela Palavra no mundo da Imagem! É o anti-João Batista: “Importa que eu cresça e o resto desapareça!” São os novos “Padim Ciços” da mentalidade popular evã-gélica!

Ø  Quando o ídolo sou eu, Deus sai de cena! Ele não divide a sua glória com ningém!

Ø  Quando o ídolo sou eu, o profetismo desse post gera ódio. Servos não se encaixam nas descrições acima.

Ø  Quando o ídolo sou eu, qualquer glória aos outros é exaltação, a mim é honra! O nome disso é hipocrisia, teatro, máscaras!

Ø  Quando o ídolo sou eu, evito a Bíblia. Ela é uma arma de grosso calibre que costuma destruir os altares dos falsos deuses.

Ø  Quando o ídolo sou eu, a igreja sofre. Ídolos de carne e osso são infinitamente mais nocivos do que imagens de barro e gesso.

Ø  Quando o ídolo sou eu, sou uma mentira! Não há ninguém digno de adoração senão Aquele que é Alfa e Ômega, Princípio e Fim (Ap. 1.8)

  A Jesus Cristo – o Único – sejam rendidas toda a honra, glória, exaltação, adoração, magnitude, majestade, louvor, domíno e soberania para todo o sempre!
 
Até mais...
Alan Brizotti

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Servir: a graça não é de graça! (Lc. 17.7-10)


            Alguém disse que Deus não pergunta sobre nossa capacidade ou incapacidade, mas se estamos à disposição.

            Uma das maiores carências da atualidade é de gente à disposição. Homens e mulheres compromissados com o Reino. Vivemos na era das facilidades, onde o que impera é a busca alucinada pelos holofotes e aplausos, como se fôssemos astros e não escravos. J. H. Jowett disse que “o ministério que nada custa nada realiza.

            Phillips Brooks disse: Não ore pedindo uma vida fácil. Ore para ser um homem mais forte. Não ore pedindo uma tarefa equivalente às suas forças. Ore por forças equivalentes às suas tarefas. Ainda confundimos a graça com o remanso, o não-fazer. Esquecemos de que o contrário de graça não é esforço, é mérito!

            A igreja do século 21 é uma igreja acostumada à mecânica do templo. Uma igreja de pedra, mas não de gente. Uma igreja que inverte o “Ide” e subverte a própria missão – é a autossabotagem eclesiástica.

            Pense na seguinte pergunta: o que te qualifica como servo?

 Cuidado com a maldição da ociosidade

            Carecemos de um resgate da condição de servo! Não um servo sentado em casa, descansando de manhã, repousando à tarde e dormindo à noite!
            Um escritor disse que o ócio é a morada do demônio. Ócio é o outro nome da preguiça. Harvey Cox disse que a preguiça foi responsável pelo pecado de Adão: ainda corremos o risco de deixar a serpente escolher por nós!
            Oscar Wilde disse que “o problema de a pessoa ter uma boa ideia é ser chamada para colocá-la em prática”. A igreja contemporânea é repleta de especialistas em tudo aquilo que não fazem!
            A palavra “negócio” vem do latim: é a junção da partícula de negação “ne” + “ótium” que significa “repouso, descanso”, portanto, “negócio” é a negação do repouso, a negação do ócio. Precisamos descansar, mas não para sempre!
            O preguiçoso, nem sempre é aquele que nada faz, às vezes, se esconde no ativismo! É aquele que faz tudo o mais rápido possível, só para ver se sobra tempo para descansar! Um provérbio antigo diz que “o diabo tenta todo mundo, mas o preguiçoso tenta o diabo”.
            Phillips Brooks disse que Pensar que você não pode fazer nada é quase tão arrogante quanto pensar que pode fazer tudo.
            Trabalhe! Envolva-se na graça e sirva! A graça não é de graça!

 Estar envolvido com a graça não significa ser negligente

            O servo qualificado é o oposto do negligente. Algumas pessoas usam a graça como desculpa para não trabalhar.
            O servo não deve esquecer suas tarefas: Os alemães têm um provérbio: “jamais digas esqueci, pois o esquecimento é próprio dos irresponsáveis”. O esquecimento da graça nos lança no perigoso território da não-graça! Desculpas esfarrapadas para não gerarmos frutos e filhos!
            O servo não deve ser desleixado: Precisa aprontar-se e servir com qualidade. Um dos aspectos que a Rainha de Sabá observou e elogiou foi a corte de Salomão (I Reis 10. 4-8). Servos desleixados envergonham seu Senhor.
            O servo não deve ser desatento: Deve esperar enquanto seu Senhor come e bebe. Servos desatentos sentam-se em qualquer lugar, inclusive nos lugares aonde não foram chamados.
            C. S. Lewis disse: Certamente você realizará o propósito de Deus, não importa como esteja agindo, mas faz diferença se você serve como Judas ou como João.
            Sirva com excelência, pois  como disse Paulo  em I Co. 15. 58: “o nosso trabalho não é vão no Senhor”

 Cuidado com a armadilha da ambição desmedida

            Em Lc. 17. 9,  Jesus pergunta aos discípulos: “será que vocês agradecerão ao servo por ter feito sua obrigação?”
            Hoje, trabalhar por glórias e mídia virou obsessão. A ambição desmedida foi responsável pela metamorfose de anjos em demônios. O elogio ao servo só ocorre no final de sua tarefa: “servo bom e fiel”. A ambição desmedida faz com que o servo distorça sua tarefa e destrua sua recompensa. Servir, por si só, já deve ser visto como glória.
            Agostinho dizia: Torna-me teu escravo, ó Deus, e então serei livrre! Vance Havner disse: Nossa eficiência sem a suficiência de Deus é apenas deficiência. A ambição desmedida pode nos levar ao abismo da manipulação dos meios e dos outros.
            Qual tem sido a sua motivação?

 Cuidado com a doença da arrogância

            O versículo 10 deixa explícito o que os próprios servos pensavam de si: “somos servos inúteis”.
            Esse texto vai na contramão da espiritualidade dos queridinhos de hoje. Vivemos numa igreja onde ninguém quer ter a abençoada inutilidade, a grande maioria dos crentes foram picados pela mosca azul do poder.
            Um servo arrogante é uma ameaça ao bom andamento da obra. Servo arrogante é contradição. Quem serve, deve fazê-lo em amor! (João 13)

            Que Deus nos guarde da enfermidade da arrogância, da Síndrome de Nabucodonosor, de trocar o manjar do Senhor pelo capim dos orgulhosos.
 
Até mais...
Alan Brizotti

 

 
           

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Adoração: o encontro


          
            Em João 4, no encontro entre Jesus e a mulher samaritana, há um vislumbre da adoração que poucos observam: o componente do conflito. Jesus expõe a natureza da adoração a uma mulher obscura num poço qualquer da vida – isso se parece com o que achamos ser a adoração?
            Achismos à parte, adoração é encontro. É o Supremo que vem, com a interrogação que busca conteúdo. Eu e Deus. William Temple definiu a adoração assim: “A adoração é a submissão de toda a nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante Sua santidade, o nutrir da mente com Sua verdade, a purificação da imaginação por Sua beleza, o abrir do coração ao Seu amor e a entrega da vontade ao Seu propósito”.
            A verdadeira adoração precisa estar centrada em Cristo. Em Lucas 2. 25-30, Simeão, ao apresentar Jesus no Templo, dá um brado: “Despede teu servo em paz, pois os meus olhos já viram a tua salvação”. O que Simeão está dizendo é a base de uma teologia da adoração: quando os meus olhos se fixarem em Jesus não precisarão ver mais nada! A visão de Jesus relativiza todas as outras coisas. Minha retina fica marcada para adorar.

           Vamos refletir sobre alguns aspectos da adoração como encontro com Deus:

 1. A síndrome da mulher samaritana: “Jerusalém ou Gerizim?”

            Mais do que lugares, geografias demarcadas, era um jeito estabelecido de adorar – o império do tecnicismo – o reino cansado da previsibilidade blindada. A morte das surpresas. Aqui adoramos de um jeito, ali de outro. Profissionais do culto.
Muita gente ainda é escrava da adoração das geografias: certos templos, certos lugares, certos montes... Outros são escravos da judaização da igreja: só adoram se a estrela de Davi estiver tatuada na testa!
Elienai Jr. escreveu algo sobre esse texto. O escritor criou a seguinte fala, como se fosse o anseio do coração daquela mulher:
“Fala de Deus, poeta. Baldeia também o divino de outro poço, profeta. Porque tal como esta água, o que de Deus eu sei me angustia mais do que sacia. Os samaritanos falam de um que é mais Deus em nosso templo do que naquele de Jerusalém. Deus é só isso? Dos judeus ou dos samaritanos? De Jerusalém ou de Gerizim? Do templo que não me quer, ou que não me cabe? Dos homens e suas vaidades másculas e truculentas? Reinventa, poeta. Redescreve, profeta”            
A mulher samaritana não era leiga em matéria da teologia de seu povo. Ela tinha religiosidade em lugar de espiritualidade: “este é o poço do qual bebeu nosso pai Jacó”. Ela conhecia a história de seu povo, mas não o Deus de todos os povos. Ainda temos a mentalidade das fórmulas mágicas – o abracadabra gospel. O poço, a aliança ungida, a água santa, o óleo poderoso. Coisas sem Deus. Animismo gospel.
Quando a mulher samaritana soube da “água da vida” imediatamente a solicitou. Isso aponta para a motivação oculta naquela “conversão” tão rápida: a busca por uma “água mágica”, que a fizesse sumir socialmente. Uma água que a poupasse de precisar novamente buscá-la todos os dias, encontrando com as outras mulheres e seus olhares furtivos. É como muita gente que habita a periferia das igrejas. Gente oculta no culto.
Muita gente procura viver uma adoração da fuga social, ou pior, do isolamento, da quebra da comunhão. É gente que não suporta a igreja e suas deformidades, então, isola-se na “adoração virtual”, ou na “adoração solitária”. Adoração genuína acontece na dimensão da solitude (não, solidão), mas desemboca na comunhão da igreja. A mulher sai do poço e vai dar testemunho na cidade!


 2. Um texto, duas posturas

            O texto fala-nos de forma extraordinária sobre a adoração. Intrigante é que está em voga a postura do adorador. Na verdade, o texto nos leva na estrada da conversão e da adoração.
            Há duas posturas que devem ser evitadas:
            1. Ficar aquém de Jesus: É receber a mulher sem sequer tocar em seu estilo de vida. É a adoração da acomodação a um momento, evento ou esquema religioso. O adorador de verdade sabe que é pecador, carente da graça, e precisa da cura de sua alma. Sabe que o Espírito Santo antes de consolar, confronta!
            2. Ir além de Jesus: É forçar aquela mulher a se judaizar! Não vemos Jesus forçando-a a assumir uma postura judaica. Jesus não a discrimina por ser de outro povo. A adoração sara a cultura, pois não é escrava de cultura alguma. Não precisamos cantar em hebraico para que o louvor seja mais santo! Jesus a mandou de volta para a sua cidade, e não para Israel!
            A pergunta que surge imediatamente é: quall, então, é a postura do adorador? O texto também a revela: João 4. 23, 24: “os verdadeiros adoradores”. Esses são os que adoram ao Pai “em espírito e em verdade”. Note que o texto não diz que o Pai procura adoração, mas adoradores! Por quê?
            Porque o Pai já tem a mais plena, linda e perfeita adoração. Isaías 6. 1-3, os Serafins estão adorando de uma maneira que nenhum de nós é capaz de alcançar. Deus não procura adoração, pois já a possui. Deus procura adorador, pois ao encontrá-lo, o Pai dá de sua adoração ao adorador e, então, ele a devolve ao Pai, e cumpre-se Romanos 11. 36: “Pois dele, por ele, e para ele são todas as coisas”. 
A postura do adorador é “em espírito e em verdade”: ou seja, Deus é espírito (Jo. 4. 24), e não pode mentir (Tito 1.2) – o adorador é aquele que está mergulhado em Deus, vive para Deus, tem fome e sede de Deus e respira para a glória de Deus (At. 17. 28).
Adoração é encontro com Deus, comigo mesmo e com os outros.

Até mais...
Alan Brizotti

Esse post foi publicado no nº 2 da Revista Talento, do meu amigo Silas Marinho.








terça-feira, 3 de julho de 2012

Refletindo sobre a questão do talento


            Clarice Lispector disse que “vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir”. É difícil definir o talento. Alguém disse que “talento é escrever com a mão certa”. O problema é que vivemos no mundo da mentira técnica, o fazer sem ser, a profissionalização do banal, o que faz com que, como diziam os antigos, “em terra de urubu diplomado, sabiá não cante”. Tem gente escrevendo com a mão errada...

            Vamos refletir sobre algumas características fundamentais do talento:

            Talento diferencia. Compor uma música incrível e outra não, é fruto do talento. Pintar uma tela é diferente de gerar uma obra de arte. O talento faz a distinção entre a pintura sem arte e a arte de pintar. Dois atores podem decorar as mesmas falas, mas apenas o talentoso faz a plateia se emocionar. Dois humoristas podem contar a mesma anedota, contudo, somente o talentoso é capaz de reinventar o mesmo riso.

            Talento incomoda. Giovanni Papini disse que “a inveja é a sombra obrigatória de todo gênio e de toda glória”. Se você possui algum talento, prepare-se para o confronto. A mediocridade é uma enfermidade da alma que atinge muita gente. Não são poucos os que estão com os olhos irritados diante do brilho que o talento tem. Provérbios 14.30 define a inveja como “a podridão dos ossos”.

            Talento atrofia. É preciso investimento. A tragédia de muitos talentosos ao longo da história foi sua acomodação. Guimarães Rosa disse que “o animal satisfeito, dorme”. É famosa a frase de Thomas Edison: “Talento é 1% inspiração e 99% transpiração”. Se não há investimento, preparação, crescimento, foco, disciplina, fatalmente haverá atrofia, retardo, perda de qualidade. É desperdício ter talento, mas não ter vontade.

            Talento exige cautela. É ferramenta. Não basta ser talentoso, é preciso ter caráter. Carisma sem caráter é mortal. A Bíblia conta a história de Sansão (Juízes 13-16), um homem talentoso, carismático, mas que não sabia dominar instintos e paixões. Ao invés de usar seu talento para livrar Israel dos filisteus, usou-o para conquistar filisteias! Focalizou o alvo enganoso. Usou a ferramenta certa no trabalho errado. Foi seduzido pela cultura, feriu-se na arma que usava. Terminou sua vida fazendo palhaçadas para divertimento dos filisteus (Jz. 16.25). Talentosos também pecam.

            Talento tem limite. Um talento é resultado de uma série de fatores como genética ou treinamento, enquanto que um dom espiritual é o resultado do poder do Espírito Santo. É bom lembrar que qualquer pessoa, cristã ou não, pode possuir um talento, mas apenas os cristãos possuem dons espirituais. Embora ambos, talentos e dons espirituais, devam ser usados para a glória de Deus e para edificação mútua, os dons espirituais possuem somente esse foco, enquanto que os talentos podem ser usados para objetivos não espirituais. Talento tem limite, enquanto os dons são potencialidades espirituais que nos capacitam a realizar obras que o talento não faz.
            
              Até mais...
              Alan Brizotti

             Escrevi esse texto a pedido do meu amigo Silas Marinho, que o publicou na edição de Abril/Maio, de 2012 da Revista Talento Brasil, R&S Produções Ltda, pp. 26, 27





           

           

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Clamores da minha alma


Minha alma tem clamado muito nos últimos dias. Um clamor intenso, profundo e incessante pelas coisas de Deus. Um desejo por santificação, quebrantamento e mortificação do pecado. Quero ser um homem de Deus. Sinto fome de Deus, sede da Palavra e vivo na busca pelas águas profundas da fé.

Minha alma clama por Deus, não por coisas de Deus. Anseio por um relacionamento com Deus que seja verdadeiro, puro, honesto, sem artifícios ou dramas. Não faço caras e bocas, apenas dobro-me ante Sua Glória, Majestade, Soberania, Graça e Poder. Ele é Tudo. Não quero coisas sobre Deus, mas o Deus de todas as coisas. Só Ele, Sua Santa Presença, vale para minha alma sedenta.

Minha alma clama por um avivamento. Um fogo santo que purifique meus lábios e abra a porta da Palavra. Um desejo tão intenso por Deus que me faça sentir medo de andar sozinho. Choro por um avivamento que comece em mim. Que me faça descer mais, orar mais, jejuar mais, santificar-me mais. Um avivamento que me faça aparecer menos, lucrar menos, falar menos e ouvir mais.

Minha alma clama pela Palavra de Deus. A cada dia percebo mais em mim um amor crescente pela Palavra de Deus. Quero respirar a Palavra, comer a Palavra, beber em sua fonte inesgotável e preencher cada lacuna da minha espiritualidade com o bálsamo que vem dela. Quero falar menos sobre generalidades e mais - muito mais - da Palavra.

Minha alma clama por uma teologia da cruz e não do sucesso. Uma teologia que destrona, envergonha e humilha meu egoísmo, orgulho, mediocridade e mesquinhez. Uma teologia que centralize a cruz em meu ser, que aponte para a renúncia e para a celebração da Salvação em Cristo.

Minha alma clama: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito reto" (Sl. 51. 10).

Sua alma ainda clama?

Até mais...

Alan Brizotti

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Deus trabalhador


Em João 5. 17 Jesus disse: “meu Pai trabalha até agora”. Jesus abriu um ângulo profundo da natureza do Pai: o Deus trabalhador. O Deus que não vive numa ociosidade celeste, num eterno feriado, num marasmo divinizado. O Deus que se recusa a ser uma espécie de marajá da glória.
A grande questão é: por que Deus trabalha? O homem trabalha por infinitos motivos, sendo que os principais são: necessidade, independência financeira, subsistência, alguns por prazer. Deus trabalha porque se deleita em criar – sua primeira “profissão” na Bíblia é jardineiro – a arte da diversidade: das cores, aromas, formas e percepções.
Deus trabalha por amor. Confúcio dizia: “escolha um trabalho que você ame e não trabalhará um único dia em sua vida”. Deus trabalha sem a neurose do lucro nem o limite do cansaço. Ele trabalha em abertura e entrega total de si mesmo.
É inútil o trabalho sem alma. O exemplo do Deus trabalhador precisa ser encarado como um padrão para a nossa conduta diária. Deus não trabalha para si mesmo, mas para os outros – essa é sua constante humildade – para os outros! Foi o que Deus fez em Cristo. Dietrich Bonhoeffer escreveu que “Jesus foi o homem dos outros”.
O padrão para o homem vem do Deus trabalhador: assim como Deus trabalha para nós – a humildade – é assim que devemos ser. É o serviço dignificando, o trabalho destruindo o ego, a atividade criadora e transformadora – reflexos da imagem e semelhança – que nos ajudam a domesticar o egocentrismo tão arraigado na mente pós-moderna.
 Na Ressurreição de Jesus há uma cena intimamente ligada a esse tema. Em Mc. 16. 3 algumas mulheres, a caminho do túmulo onde Jesus estava sepultado, diziam umas às outras: “quem removerá para nós a pedra da entrada do sepulcro?” Um grupo de mulheres preocupadas com o trabalho que teriam pela frente: pesado, braçal, difícil, arriscado, esqueceram do que Jesus disse: “meu Pai trabalha”. Quando chegaram ao túmulo o trabalho já tinha sido feito! Ressurgiu!
Antes que façamos qualquer coisa Deus já vem fazendo muito por nós. É essa a mentalidade que permeia os Salmos. Sempre que há alguma nota de gratidão pelo que Deus faz, ela vem seguida ou antecedida pelo que Deus fez. Assim, Israel louva a Deus pela terra prometida, mas principalmente, pela retirada porderosa do Egito. O amanhã será fruto do que Deus fez ontem! Deus trabalhou e ainda trabalha!
O Deus trabalhador saúda os trabalhadores do mundo!

Até mais...
Alan Brizotti


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